um conto da contributor "AMNESIA"
CABRA
1.
Um bairro de prédios alinhados, como se fossem sanduíches numa vitrine. O sistema de refrigeração está ligado.
O meu é de ovo, mas cheira a cabra. É do reino animal, na mesma.
A minha vizinha tem uma cabra em casa. A minha vizinha que trabalha numa horta, que fica entre dois braços compridos. Uma ilha, entre duas linhas na cidade. Dois carris. Uma cabra. A minha vizinha.
Eu tenho um cheiro que se vê. Sou um preto com orelhas de branco, orelhas de Rato Mickey, um preto inventado por um americano de pele lisa.
No início, era estranho. Passava os dedos pela pele só para a ver ficar vermelha, de um vermelho fugidio, que ia e não vinha. Era uma não-cor. Um preto-branco fugidio. Foi por causa dessas orelhas de preto Rato branco que ganhei a alcunha de Mickey. Foi por causa dessa alcunha que criei uma colecção de cromos de preto rato branco Mickey. Tinha vários cromos, muitos cromos que saíam em pastilhas, pastilhas que davam pontos, pontos que davam cromos. Apanhava-os do chão ou davam-mos no supermercado. Tinha muitos, às dezenas, que guardava dentro dos bolsos, mesmo os repetidos.
O Rato Mickey em todas as posições, só e acompanhado, sempre preto, sempre branco. Até aprendi o nome dele, escrito a spray nas paredes.
Ver a continuação deste conto em:
http://docs.google.com/Doc?id=dc9dxtft_2c6bzps
1.
Um bairro de prédios alinhados, como se fossem sanduíches numa vitrine. O sistema de refrigeração está ligado.
O meu é de ovo, mas cheira a cabra. É do reino animal, na mesma.
A minha vizinha tem uma cabra em casa. A minha vizinha que trabalha numa horta, que fica entre dois braços compridos. Uma ilha, entre duas linhas na cidade. Dois carris. Uma cabra. A minha vizinha.
Eu tenho um cheiro que se vê. Sou um preto com orelhas de branco, orelhas de Rato Mickey, um preto inventado por um americano de pele lisa.
No início, era estranho. Passava os dedos pela pele só para a ver ficar vermelha, de um vermelho fugidio, que ia e não vinha. Era uma não-cor. Um preto-branco fugidio. Foi por causa dessas orelhas de preto Rato branco que ganhei a alcunha de Mickey. Foi por causa dessa alcunha que criei uma colecção de cromos de preto rato branco Mickey. Tinha vários cromos, muitos cromos que saíam em pastilhas, pastilhas que davam pontos, pontos que davam cromos. Apanhava-os do chão ou davam-mos no supermercado. Tinha muitos, às dezenas, que guardava dentro dos bolsos, mesmo os repetidos.
O Rato Mickey em todas as posições, só e acompanhado, sempre preto, sempre branco. Até aprendi o nome dele, escrito a spray nas paredes.
Ver a continuação deste conto em:
http://docs.google.com/Doc?id=dc9dxtft_2c6bzps
